sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sobre florestas e anjos

Um amigo me deu uma folha com a seguinte frase: “Fui à floresta porque queria viver profundamente...E sugar a essência da vida! Eliminar tudo o que não era vida. E não, ao morrer, descobrir que não vivi”.Me disse com sua certeza costumeira “toma isso e coloca na parede de seu quarto” disse também de quem era a frase, eu não me lembro, me deu mais um monte de outros textos e um cd do Bowie (o único homem que me faz sussurrar de profundo desejo).
Tenho tido ótimas tardes com esse meu amigo, onde falamos, bebemos e fumamos e fumamos e fumamos...ouvimos alguns vinis, porquê só o vinil para dar conta de tamanha nostalgia de nada que temos. Melancólicos e esperançosos, acho que assim nos definiríamos, entretanto tenho tido noites de profunda melancolia e nada de esperança, mas me sinto bem, dentro do que considero bem. Muito bem.
Penso no casamento de uma amiga que será sábado agora e me imagino casando também...meu deus, eu jamais me casaria! Não dou conta nem desse ser enorme que me acompanha, que sou eu mesma, quanto mais de outro alguém com outro ser tão grande quanto o meu me acompanhando! Então penso novamente na frase do autor que não me lembro e penso que o que eu mais queria era visitar essa tal de floresta para sentir a vontade de viver profundamente...estou tranqüila, essa sensação de tranqüilidade não aniquila a minha vontade de não mais viver, mas também não ameniza, só estou tranqüila,em paz, mas não confundo isso com felicidade nem plenitude é só tranqüilidade.
Penso sempre no amor, penso em fidelidade e em desejos, em sexo, e acho que nada disso tem a ver um com o outro, penso às vezes em como teorizar tudo isso e então bato palmas e saúdo Lemisnki:os sentidos sejam a crítica da razão, essa é a única máxima que me recordo no instante, cansei de pensar.Quero sentir, sentir coisas que me dê mais prazer que tragar a fumaça do cigarro quando passo o dia sem fumar e então quando estou na noite, as mesmas noites de sempre das minhas férias acendo e trago, ah!se existisse onomatopéia convincente de orgasmo eu a escreveria aqui.Voltando a falar em sentir eu cansei de pensar, é, cansei,ás vezes uma cabeça tão cheia de pensamentos só quer a sensação do trago do cigarro ou de garoa fina na cara.
Quanto a minha leitura tenho lido muito e não terminado nada é a velha sensação de adolescente sozinha que não quer abandonar os livros, pois são seus únicos amigos.
Estou pensando em tudo que tenho escrito e sobre isso que escrevo agora, soa tão depressivo!mas o pior que não corto os meus pulsos, nem tomo vários tranqüilizantes, já pensei em me jogar de algum lugar, mas moro no térreo e morro de medo de altura, isso soa deprimente, mas é verdade! A verdade dói!
Quando penso na floresta do autor que não sei quem é,me recordo de uma imagem costumeira na minha infância,um bosque, sempre preferi bosques que florestas, apesar de bosques serem florestas pequenas, acho que é o mal do minimalismo.Recordo me de andar e encontrar um banco nesse bosque, de sentá-lo e nada mais fazer do que observar,será que nesse momento o meu corpo de criança queria apenas viver profundamente? Como uma criança vive profundamente? Nessa madrugada assisti um filme que uma criança se suicida, ela pensa que é um anjo, pois ouviu na igreja que os anjos são seres que habitam internamente, a coitada achando que encontrará seu anjo e suas asas se jogando de uma janela, morre, então penso:será a igreja uma apologia ao suicídio ou o pastor foi extremamente infeliz na sua metáfora de existência de anjos?apesar de que a criança estava meio perturbada com a sua própria existência, numa parte do filme ela se olha no espelho e com uma profunda tristeza diz que não se parece nem com a mãe, nem com pai e nem com ela,pintando seu rosto de branco,nesse momento eu achei a perfeita metáfora dos anjos e sua existência.Já pensei muito em anjos, principalmente quando minha mãe me mandava rezar pro meu anjo da guarda, não sei se acredito neles, tenho um livro que uma amiga me deu sobre anjos, nele eu guardo celulose, pra que elas não grudem ou então para ter uma boa energia na hora do uso, agora penso que não sei se acredito se eles existem ou não por medo de encontrar o meu anjo interior ou ter medo de altura.
Vou perguntar pro meu amigo se ele acredita, e se acreditar em algo que ele me diga o que é, perguntarei novamente o nome do autor da frase e me perguntarei quando que vou visitar alguma floresta ou bosque para que eu tenha a resposta se quero viver profundamente ou apenas viver.

5 comentários:

Beat* disse...

É minha querida, pensar às vezes atrapalha. Nada melhor que sentir as coisas sem querer teorizar nada, apenas sentir.
Ânimo querida,na falta de uma floresta, feche os livros um pouco e venha respirar a poluição da cidade, e se embriagar com seus amigos loucos. Faz bem tbm!

Gabriel Saldanha disse...

O conhecimento é a única virtude; A ignorância o único vício. Já dizia o filósofo Sorte de Hoje, do Orkut. E eu assino em baixo.

Porém somos humanos, animais. Por mais que a filosofia seja a minha paixão, e que questionar seja a base da filosofia, devemos ser animais.
Conhecimento traz sabedoria, é...
Mas ignorância traz felicidade.

Ai de quem souber mesclar! :D

Siga os conselhos da Beat. Vai te fazer bem. Mesmo eu não sabendo quais são os seus problemas.

beijos

crônicas de quando voamos... disse...

gente obrigada!mas eu ñ tô tão mal assim!rsrs
mas eu vou seguir os conselhos!rsrsrs

rafael andolini disse...

Fui à floresta porque queria viver profundamente...E sugar a essência da vida! Eliminar tudo o que não era vida. E não, ao morrer, descobrir que não vivi - Henry David Thoreau.
Essa é a frase que se invocava nas reuniões da Sociedade dos Poetas Mortos, onde os alunos se escondiam de seus pais, professores, e de quem mais quisessem para viverem através da poesia a mágica da criação e da vida.
Carpe Diem, oh capitain, my capitain...
Se ainda não assistiu o filme, o faça o quanto antes. É fabuloso, e como se não bastasse é com Robin Williams!

Marco Rodriguéz disse...

intivFaça como Fernando Pessoa, sinta, não pense. Pensar às vezes endoidece!

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